(...)
E a vida todos os dias
começava muito cedo,
entre sombras erradias
de iluminado segredo.
A vida exigia a nossa
tarefa de sol a sol
e todo o labor da roça
a encher de sonho um paiol.
A vida era poesia
misturada com trabalho,
suor que se desfazia
em puro cristal de orvalho.
A vida estava na flor
ou nunca espiga madura,
com o mundo a se recompor
entre escassez e fatura.
A vida era toda feita
de terra, sonho e suor,
a esperar pela colheita
do que houvesse de melhor.
A vida tinha o tamanho
do que nunca se media,
pois não se calcular o ganho
do viver de cada dia.
O sol era testemunha
do nosso labor diário
e só quando ele se punha
terminava o nosso horário.
(...)
José Chagas
fragmento do livro Tabuada de Memória
____
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deusanachagas@gmail.com
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Poema do livro De lavra e de palavra ou Campoemas
DE QUEM SERIA O CAMPO, NO COMEÇO,
QUANDO A TERRA NÃO ERA DE NINQUÉM?
LVI
Trabalhar para ter só o cansaço,
como o poeta português dizia,
é o destino de quem, no chão escasso,
busca arrancar o pão década dia,
e se sustenta apenas no fracasso,
por tirar do fracasso a teimosia
de novamente impor o corpo lasso
para além do que o corpo poderia,
como a pensar que o que não pode o braço,
pode em si mesma a persistência fria,
que, ao remover um sofrimento crasso,
acaba presa à última ironia,
cavando o que no espaço é só espaço,
vazia forma de uma ação vazia.
JOSÉ CHAGAS
Do livro De lavra e de palavra ou Campoemas
-
Para adquirir o livro entrar contato com o email:
deusanachagas@gmail.com
QUANDO A TERRA NÃO ERA DE NINQUÉM?
LVI
Trabalhar para ter só o cansaço,
como o poeta português dizia,
é o destino de quem, no chão escasso,
busca arrancar o pão década dia,
e se sustenta apenas no fracasso,
por tirar do fracasso a teimosia
de novamente impor o corpo lasso
para além do que o corpo poderia,
como a pensar que o que não pode o braço,
pode em si mesma a persistência fria,
que, ao remover um sofrimento crasso,
acaba presa à última ironia,
cavando o que no espaço é só espaço,
vazia forma de uma ação vazia.
JOSÉ CHAGAS
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