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sábado, 20 de junho de 2009

Dezenove de Junho - José Chagas

O poeta homenageia a sobrinha,Deusana,pelo seu aniversário, e espera contar com a sempre gentil participação de todos os amigos.



Aniversariar é ainda
um modo de ser e estar,
de mostrar que a vida é linda
e está posta em seu lugar.

Mas há quem goste, ao contrário,
de fazer anos sozinho,
tendo o seu aniversário
como um evento mesquinho.

Mas enfim, queira ou não queira,
cada qual tem o seu dia,
que é marco da vida inteira
e é por onde se inicia.

O dia do aniversário
de Deusana é dela e é nosso;
sou o primeiro usuário
que dessa emoção me aposso.

E é de nós todos também,
amigos, irmão, tios, pais,
pois esse é mais do que um bem,
por seus laços fraternais.

E essa alegria se expande,
não só porque é maior,
nem só porque seja grande,
mas por ser bela e melhor.

Esta é uma data e uma dita
que Deusana tem de seu,
e ela é uma graça infinita
que a natureza nos deu.

É um dia que é mais que um dia,
por ser divina semana
que se estende e se alumia
no coração de Deusana.

Pois quem aniversaria
na semana de São João,
sente uma dupla alegria,
num duplo fervor cristão.

São João é brasa, é fogueira,
é a labareda do ano
e é ritual que se queira
tão sagrado quão profano.

Há bandeirolas no ar,
nos corações e nas almas:
São João a nos enfeitar
com o brilho das noites calmas.

Há muitos balões de sonhos
de intensas colorações;
sobem, mas voltam risonhos
para os nossos corações.

Pois que a beleza se alteia
tal como um balão junino
que deixa a nossa alma cheia
da paz de um sonho divino.

Tem-se a humana natureza
festiva em seu dom profundo;
basta uma alegria acesa
para iluminar o mundo.

São João festeja Deusana,
no aniversário feliz,
com sua luz soberana,
que a própria data bendiz.

E há algo que nos pertence,
que é nosso e que sempre foi,
pois que a alma maranhense
ecoa no bumba-boi.

E quem aniversaria
tão perto assim de São João,
sobe em balão de alegria,
desce em nosso coração.

Bate a invisível matraca,
bate o pandeirão do sonho
e vê que a vida destaca
um mundo belo e risonho.

Em toda a vida eu suponho
que nada existe mais belo
que ver o real e o sonho
postos num feliz duelo.

O sonho se faz real,
o real em sonho se faz,
e se dá o festival
da completa humana paz.

Deusana é o quanto de humana
pode ser uma pessoa;
só uma Deusana é Deusana,
a que São João abençoa.

Qualquer um de nós, contente,
percebe, em tom solidário,
que ela mesma é que é o presente
de seu próprio aniversário.

Nós somos presenteados
por sua dádiva imensa,
por seus preciosos dados
de alegria e fé e crença.

Pois aniversariantes
somos todos, nesta data,
solidários e constantes,
com nossa presença grata.

Uma fogueira ilumina
a alma de todos nós,
na celebração junina,
cantada numa só voz.

Não esqueçamos também
que em São João também se come
e se bebe o que convém
tanto à sede quanto à fome.

E há o que entra pela boca:
bolo, canjica, pamonha,
pois ninguém tem fome pouca
nem vive só do que sonha.

Festejemos a alegria
desta data e deste mês,
pois só se aniversaria,
em cada ano, uma vez.

Junho é mês de muitos santos,
João, Pedro, Antônio, Marçal,
e os benefícios são tantos
que o mês é celestial.

É o mês que divide o ano
em suas duas metades,
mas une o sentido humano
que reina nas amizades.

E o dezenove de junho,
data jamais esquecida,
traz um bem que testemunho
como uma glória da vida.

Deusana louve São João,
louve São Pedro também;
bênçãos dos dois cairão
sobre nós todos. Amém.



Poema inédito








fontes:imagem
http://www.educadora560.com.br


http:www.abril.com.br

sábado, 9 de maio de 2009

Mãe é mãe

José Chagas

Bem, o leitor sabe que amanhã é o Dia das Mães e que não há nada referente ao comportamento humano, tanto no bem como no mal, que não tenha mãe no meio, ou melhor, no início. Ninguém nasce sem mãe, ainda que seja mãe de aluguel, como já vem ocorrendo. Toda a humanidade tem mãe. E o que pretendo lembrar é o que sofrem as mães de coração sensível, diante do que de terrível apresenta o mundo, em sua destinação histórica, sabendo-se que elas estão na base de tudo isso. Pensem no fato de que Bush, Hussein, Bin Laden, como tantos abomináveis tipos humanos, saíram de ventres de mãe. E se de fato “ser mãe é padecer no paraíso”, como diz o poeta, imagine-se o que é ser mãe num inferno como o de nossos tempos. Atente-se para a tragédia da mãe que cria o filho com tanto sacrifício e tanto cuidado, para depois ser assassinada por ele, o que já é quase rotina nos dias de hoje. Sei que estou destoando dos que festejam a data com loas às mães felizes, as que dos filhos recebem presentes e não tiros ou cacetadas. Entendo que as mães felizes pensam nas mães que não têm a mesma sorte. Mãe é mãe, na alegria e na dor. E essa expressão mãe é mãe acentuou-se mais em minha memória, quando, outro dia, naquele caso de um menor da Febem que matou outro, vi, na televisão, a mãe do assassino apelando em prantos para ver o filho, e o pessoal dos direitos humanos argumentando que mãe é mãe e que ela estava sofrendo muito, merecia ser atendida. Houve então quem, por sua vez – reconhecendo que, na verdade, mãe é mãe – perguntasse: - mas será que ela está sofrendo mais do que a mãe do assassinado? Note-se que entra aí em jogo a sutileza dos direitos humanos que parecem atuar mais de um lado do que de outro. Considerem o confronto da mãe do filho assassino com a mãe do filho vitimado. Sabendo-se que mãe é mãe, será que, nessas circunstâncias, uma é mais mãe do que a outra? E observe-se que os bandidos não respeitam direitos humanos de ninguém, matam por qualquer motivo ou sem motivo. Mas, como ficam vivos, exige-se que se considerem os seus direitos. Muito justo. É claro, portanto, que os que não tiveram direito aos seus direitos humanos, e estão mortos, só têm agora de contar com os direitos divinos. Que se apeguem com Deus. No caso, porém, das duas mães, sabendo-se que ambas estão vivas, como equilibrar esses direitos? Temos aí um tema para os que ainda achem que vale a pena meditar um pouco, no Dia das Mães. Ou será que o dia não é para isso?

Crônica publicada há alugum tempo em o Estado do Maranhão

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Lavoura azul

Trabalho nuvens como quem trabalha
o chão que é seu, mas eu não tenho chão.
Cultivador da natureza falha,
planto no azul o que de azul me dão.

Sobre o campo de nuvens cresce a palha
do sonho e cobre a minha solidão.
E esse abrigo de sonhos me agasalha
contra os falsos azuis que vêm e vão.

Minha roça no ar produz estrelas,
mas eu não tenho mãos para colhê-las,
nesta safra de azul que é nova e antiga.

Sou lavrador do quanto não se lavra
e é preciso que eu ceife na palavra
o maduro do azul e a sua espiga.


Poema extraído do livro Lavoura azul
___________
Para adquirir o livro entrar contato com email:
deusanachagas@gmail.com

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lavoura azul

JOSÉ CHAGAS

[POR TRÁS DO POEMA]


Por trás do poema
não se respira

Ventos se quebram
rolam onde o chão trabalha
um verde de outra cor

Por trás do poema
devemos estar mortos
inoticiados

Palavras emigram
vão para o labor de espessas
emoções

Por trás do poema
as chuvas se gastam
gastam-se os vôos os frutos
a alegria branca das praias

O tempo inicia seus escombros
por trás do poema

Uma rua de estátuas
cai sua cinza
cai o seu nada
de muitos séculos

E um rio em si mesmo se afoga
seca em suas areias
a vontade de mar

Não olheis nunca por trás do poema

podem vossos olhos
em sal tornar-se


Correção: poema acima é de Os canhões do silêncio e não de Lavoura azul

Para adquirir o livro entrar contato com email:
deusanachagas@gmail.com

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tabuada de Memória

(...)

E a vida todos os dias
começava muito cedo,
entre sombras erradias
de iluminado segredo.

A vida exigia a nossa
tarefa de sol a sol
e todo o labor da roça
a encher de sonho um paiol.

A vida era poesia
misturada com trabalho,
suor que se desfazia
em puro cristal de orvalho.

A vida estava na flor
ou nunca espiga madura,
com o mundo a se recompor
entre escassez e fatura.

A vida era toda feita
de terra, sonho e suor,
a esperar pela colheita
do que houvesse de melhor.

A vida tinha o tamanho
do que nunca se media,
pois não se calcular o ganho
do viver de cada dia.

O sol era testemunha
do nosso labor diário
e só quando ele se punha
terminava o nosso horário.

(...)

José Chagas
fragmento do livro Tabuada de Memória
____
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deusanachagas@gmail.com