Trabalho nuvens como quem trabalha
o chão que é seu, mas eu não tenho chão.
Cultivador da natureza falha,
planto no azul o que de azul me dão.
Sobre o campo de nuvens cresce a palha
do sonho e cobre a minha solidão.
E esse abrigo de sonhos me agasalha
contra os falsos azuis que vêm e vão.
Minha roça no ar produz estrelas,
mas eu não tenho mãos para colhê-las,
nesta safra de azul que é nova e antiga.
Sou lavrador do quanto não se lavra
e é preciso que eu ceife na palavra
o maduro do azul e a sua espiga.
Poema extraído do livro Lavoura azul
___________
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deusanachagas@gmail.com
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sexta-feira, 8 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Poema do livro De lavra e de palavra ou Campoemas
DE QUEM SERIA O CAMPO, NO COMEÇO,
QUANDO A TERRA NÃO ERA DE NINQUÉM?
LVI
Trabalhar para ter só o cansaço,
como o poeta português dizia,
é o destino de quem, no chão escasso,
busca arrancar o pão década dia,
e se sustenta apenas no fracasso,
por tirar do fracasso a teimosia
de novamente impor o corpo lasso
para além do que o corpo poderia,
como a pensar que o que não pode o braço,
pode em si mesma a persistência fria,
que, ao remover um sofrimento crasso,
acaba presa à última ironia,
cavando o que no espaço é só espaço,
vazia forma de uma ação vazia.
JOSÉ CHAGAS
Do livro De lavra e de palavra ou Campoemas
-
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QUANDO A TERRA NÃO ERA DE NINQUÉM?
LVI
Trabalhar para ter só o cansaço,
como o poeta português dizia,
é o destino de quem, no chão escasso,
busca arrancar o pão década dia,
e se sustenta apenas no fracasso,
por tirar do fracasso a teimosia
de novamente impor o corpo lasso
para além do que o corpo poderia,
como a pensar que o que não pode o braço,
pode em si mesma a persistência fria,
que, ao remover um sofrimento crasso,
acaba presa à última ironia,
cavando o que no espaço é só espaço,
vazia forma de uma ação vazia.
JOSÉ CHAGAS
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